Como consegui e perdi o primeiro estudio

Como consegui e perdi o primeiro estudio

Eu resolvi pular o almoço para parar uns minutos e escrever aqui um breve relato que explica em parte meu sumiço, e em parte já adianta pra vocês que eu vou sumir mais ainda, e também dar ciência ao cara que me odeia ao ponto de se dar ao trabalho de criar fakes para entrar aqui que este post vai deliciá-lo, porque invariavelmente…

 

Eu me fodi.

Ok, eu já me fodi de diversas maneiras, já me fodi sendo perseguido por maníacoameaçado por políciapor bandidojá quase morri numa geladeirajá me fodi cagando nas calças em plena ponte Rio Niteróijá me fodi roubando defunto, já me fodi com fantasma na minha casajá me fodi empalhando tubarão, já me fodi colando coisa com super bonderjá me fodi indo pro trabalhojá me fodi passeando nos Estados Unidosjá me fodi viajando pra Manauspra Varginha,  já me fodi até no motel (não literalmente, é bom que se diga), já me fodi com tumor no cu, já me fodi de diversas maneiras possíveis e imagináveis, então seria de se esperar que cedo ou tarde, o que parece muito bom se revele apenas o prólogo duma história que a essa altura, você sabe como termina.

Começou quando eu entrei numa que trabalhar só de blog e design gráfico era pouco. Eu queria fabricar esculturas, o que você sabe, é uma paixão, mas para isso, eu precisaria de um espaço, e sabe como é, trabalhar em casa tava foda. Um pequeno problema de espaço:

Minha vida de Joseph Climber: Como eu me ferrei com meu estudio de arte
Uma breve visão do caos que era meu escritório em casa

Trabalhar com escultura e impressão 3d, ilustração e o cacete a quatro num cômodo de 3×3 não é muito fácil, é verdade. Mas eu seguia em frente do jeito que dava, sempre fazendo posts como este e pensando em um dia ter um local “direito” para eu poder trabalhar em paz.
Eis que como diz o “Segredo”, tudo que você deseja muito começa a acontecer (foi mal, dei um puta dum spoiler agora) e então apareceu o Frellton, meu sócio. O Frellton comprava meus trabalhos, e um dia me perguntou pq eu não fazia mais coisas e eu expliquei como era a foda de fazer o que eu fazia em casa apertado, como um urso num velocípede.

Ele então pediu que eu fizesse um plano de negócios para me ajudar a achar investidores. Eu fiz e ele mesmo resolveu virar meu sócio. Assim, começamos uma empreitada empreendedorística: O Frellton ia mandar grana lá de Teresina, nós íamos arrumar um lugar e eu montaria o estúdio para fabricar coisas, criar projetos incríveis e sensacionais e racharíamos o lucro.
Comecei a procurar um local para montar a empresa, e eis que achei uma sala legal num bairro próximo daqui. Eu estava prestes a alugar a sala, quando fui convidado a ir num evento duma amiga nossa num lugar que eu não sabia onde era, mas era na minha rua, uns 3 km mais pra baixo.

Quando eu fui, aconteceu um bagulho GUMP. Eu entrei no lugar e senti claramente no meu coração que seria ali que eu ia trabalhar. Então, o Fausto, um amigo em comum me apresentou a Martha, uma das três sócias que alugavam o espaço. Fui conversar com ela e sabe quando “bate”? Bateu! Ficamos amigos na hora. A Martha me levou pra ver vários espaços do centro cultural que não eram usados na parte de eventos. Eis que dei de cara com uma sala enorme, que era usada de depósito. Perguntei se eu poderia alugar. Em poucos dias, eu consegui. O sonho começava a virar realidade, numa velocidade assustadora!

Levei um mês preparando a sala, fazendo parte elétrica pintando e ajustando tudo para entrar com tudo. O Frellton mandando grana direto para comprar os equipamentos, ferramentas, e tal. Algumas coisas consegui usadas e recuperei, achei moveis na rua e arrumei, tava ficando maneiro. Vamos ver as fotos:

Minha vida de Joseph Climber: Como eu me ferrei com meu estudio de arte
O centro cultural onde fiz meu estudio

Bonito né? Incrível como tinha isso na mesma rua onde eu moro e eu nem tinha me ligado. Mas lá dentro havia mais surpresas legais, saca só:

Minha vida de Joseph Climber: Como eu me ferrei com meu estudio de arte
Sala de exposições
Minha vida de Joseph Climber: Como eu me ferrei com meu estudio de arte
O Bistrô com cozinha industrial
Minha vida de Joseph Climber: Como eu me ferrei com meu estudio de arte
Ambientes versáteis com arte para todos os lados

Se liga no que tinha no jardim:

Minha vida de Joseph Climber: Como eu me ferrei com meu estudio de arte

Como não amar um lugar desse? Mandei as fotos pro meu amigo Diogo-que-Diogo e ele disse: “Trabalhar? Eu quero é morar aí!”

O Espaço era rodeado por uma natureza exuberante.

Minha vida de Joseph Climber: Como eu me ferrei com meu estudio de arte

Minha vida de Joseph Climber: Como eu me ferrei com meu estudio de arte

 

 

Minha vida de Joseph Climber: Como eu me ferrei com meu estudio de arteMinha vida de Joseph Climber: Como eu me ferrei com meu estudio de arteMinha vida de Joseph Climber: Como eu me ferrei com meu estudio de arteEntão, eu tinha dado uma sumida pra arrumar a sala. Um mês de ralação direto, e ela estava pronta!

Minha vida de Joseph Climber: Como eu me ferrei com meu estudio de arte

Minha vida de Joseph Climber: Como eu me ferrei com meu estudio de arte
Até inventei este tanque-carrinho de inox que poderia ser levado pra qualquer parte do estudio.
Minha vida de Joseph Climber: Como eu me ferrei com meu estudio de arte
Quem é da área sabe que tem um dindim nessa foto
Minha vida de Joseph Climber: Como eu me ferrei com meu estudio de arte
Note essa área externa aberta, perfeita para trabalhar com resina.

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Como consegui e perdi o primeiro estudio
Então eu estava super animado, porque finalmente eu tinha o estúdio que eu queria, do jeito que eu queria, no lugar que eu nem imaginava que um dia encontraria, cercado de pessoas sensacionais, a começar pelas três sócias que me acolheram: A Martha a Helô e a Flavia.
Caraca estava dando tudo certo, incrível isso. Até comentei com a Nivea: “Ta dando tudo tão certo que eu estou com medo, pq o normal comigo não é isso…”

MAS A VIDA?  AH… A VIDA É UM CAIXINHA DE SURPRESAS….

kkk, porra eu tava certo, maluco. Esse tempo todo eu estava esperando o meu contrato do espaço. Acontece que quando eu fui visitar e conheci as meninas e o lugar, o contrato delas não permitia sublocar os espaços do Madd. Elas só poderiam usar para guardar coisas de terceiros. Mas isso rapidamente seria resolvido. Elas ligaram para o dono do espaço, um sujeito rico que morava em Milão e explicaram a ele a situação. Ele concordou, elas alteraram o contrato delas que ia ser renovado dali a poucos dias, para incluir a sublocação. E quando o dono viesse ao Brasil, assinaria.
Eis que no dia que ele veio pra assinar: Bomba! Ele resolveu não assinar. Voltou atrás no combinado e resolveu alugar para um grupo internacional cheio da grana (até agora é um mistério sobre que grupo é esse).
Não obstante a foder a minha vida e a das três, o dono do espaço simplesmente ferrou a de mais pessoas, pois nesse tempo que levou entre a mudança do contrato e ele chegar pra assinar como havia combinado de fazer, simplesmente outras quatro empresas se instalaram nos demais espaços. 
-Tá todo mundo na rua. – Foi o veredito.

E assim, cerca de seis famílias se viram fodidas duma hora para outra por um cara que alguns chamariam de canalha, outros chamariam de moleque, mas eu qualifico apenas como um capitalista que viu que quarenta mil reais todo mês na conta não é nada mal, mesmo já sendo o que formalmente chamamos de “rico”.
Não obstante a ferrar todo mundo (as meninas que exploravam os eventos tiveram que cancelar dois casamentos já acertados) ele deu um prazo irreal para a galera se mudar, um negócio tão escabrosamente arbitrário que até agora não entendi direito essa merda: Um mês pra sair, sendo que tem que pagar o aluguel. Mas como pagar um aluguel caro pra caceta, se os eventos foram cancelados? Assim, pra não pagar o aluguel, o prazo pra sair é até domingo. (daqui três dias) o que não dá NEM UMA FUCKING SEMANA para achar um novo espaço, alugar e me mudar.  Eu não, todo mundo! Detalhe, fui ajudar o cara a arrumar o telhado do meu estúdio que vazava água nessas chuvaradas do rio e desloquei uma porra duma vértebra e agora nem posso pegar peso!

Isso que dá fazer negócios com Lex Luthor, maluco. Saudades do tempo em que o cara até morria pela honra da própria palavra, né? Mas dindim é dindim.
E foi assim  que eu me fodi (junto com o Frellton, as meninas e os meus amigos do andar de cima) na mão do cara e no meu sonho do estúdio de arte.

Vou superar? Vou, logico! Afinal, qualquer pessoa ficaria desmotivada, triste, desanimada… Mas nós somos discípulos do  Joseph Climber!

Felizmente eu tenho amigos para me ajudar. Então, essa aventura não se acaba aqui. Aguardem meu próximo movimento!

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